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Novos Ventos...
Inacreditável!
Depois de 6 anos de uma quase-possível-esperança de estabilidade em uma casa após tantas mudanças de residência, eis que os ventos sopraram de novo. Mas, dessa vez, irá cada um procurar seu próprio espaço.
Sem espaço para lamentos ou sequer para rancores, a nova vida abriga possilibidades, e dúvidas também: para onde vamos?, como sobreviveremos?, estaremos assalariados até lá?, conseguiremos pagar todas as contas em dia?, nossos velhos e novos amigos irão nos visitar?, meu namoro recente vai sobreviver às tais estradas pedagiantes e pedagiosas?, vou conseguir me graduar esse ano e redigir meu projeto de mestrado?, terei dinheiro para visitar minha mãe em outra cidade?, e meu pai morando perto, irá me visitar sempre que possível nessa cidade impossível? QUEM LAVARÁ MINHAS ROUPAS TODA SEMANA???... e um monte de outras que só encontrarão resposta no decorrer dessa nova vida que se abre, fechando outra tão dolorosamente linda que deixo na memória do coração e dos sentidos.
E, ao longe, ouvi alguém cantar: "num apartamento perdido na cidade, alguém está tentando acreditar que as coisas vão melhorar. Ultimamente a gente não consegue ficar indiferente debaixo desse céu. Do meu apartamento, você não sabe o quanto voei, o quanto me aproximei de lá da Terra. Não. As luzes da cidade não chegam às estrelas sem antes me buscar. Na medida do impossível está dando para se viver. Na cidade de São Paulo o amor é imprevisível como você, e eu, e o céu".
Num apartamento que ainda não me encontrou está o útero do que espero viver. Paulistana e impossivelmente as interrogações se aconchegam e encontram lugar nesse novo recinto.
Os amigos estarão convidados à cervejada de cozinha, pois como bons boêmios não bebemos chás e, devido ao trânsito tão longe de London City, podem e devem sim chegar atrasados.
Escrito por Beatriz Galvão às 23h04
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E se eu engolisse a Estrela de Mil Pontas?
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Permito-me discordar, num momento único de minha existência, do ponto de vista de minha Macabéa de Mil Pontas: a gente escreve, sim, para desabrochar, mas também para encher os pulmões de ar com novas possibilidades. A gente escreve, sim, para alterar as órbitas sensatas das coisas, ainda que sejam as nossas próprias órbitas. A gente escreve, sim, para agregar sentidos e descartar o insensível. E para arejar a alma, a gente escreve, sim.
Tenho escrito muito ultimamente, porque tenho sentido muitos tormentos de alma. Desabrochei, mas me inventei outra. Vi e não sei se gostei do que percebi ao espelho. Escrevo pelas linhas da palma, e pelas rugas dos olhos. Escrevo pela melanina do cabelo, e para não depender de jogos de baralho na idosidade. Escrevo para me recontar, me renarrar e descobrir outros fins possíveis. Escrevo para tirar o pó da sobriedade, portanto, escrevo para mudar.
(Escrevo aos amigos, e manifesto-me não escrevendo aos inimigos. Emails e mensagens instantâneas unem universos, mas não discuta seu relacionamento por Messenger: a voz e o toque suavizam mais a separação. E cuidado com o orkut, que pode acabar com os relacionamentos gerando outros mais instáveis)
--hoje aprendi que somos seres inacabados e que cada relacionamento é transitório e nos escreve algo. Desabrochamos sim. E não é o próprio desabrochar uma mudança? -- posso estar falando asneiras.
Teria sonhado uma noite com um céu estrelado e pontiagudo, que nivelava minha existência com a de outros seres no universo, un(i)nversamente proporcionais ao meu ser-estar-em-(com)partilhamento constante. E as interrogações foram muito claras nesse momento. E entendi muitas coisas que não poderia ter entendido de outras formas:
--E se Macabéa não morresse e, ao invés de vomitar, tivesse trocado o hot-dog pela estrela de mil pontas? --E se Diadorim fosse homem? (e quem disse que não era?) --E se Riobaldo não tivesse feito o Pacto com o Demo? (--E se o Poeta não conhecesse o Inferno?)
Perguntas que não pretendo repetir, ou sequer explicar. A cada alma cabe seu próprio purgatório (e nem sou religiosa, cruz-credo!). Mas com-partilhei dúvidas e a órbita do Universo permanece inalterada. Justifico-me apenas por desabrochar... (Contradicências)
Escrito por Beatriz Andrade às 19h33
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Peço licença aos incautos. Hoje descansei o azul do pessimismo e tirei férias das necessidades usuais. Quero apenas o que me for supérfulo: amor, sandices, palavras tolas via web... Troco o preto-no-branco pelo cor-de-rosa, cor que nunca me agradou, é vero, mas essa combinação de paixão com paz me acalma e me promete. O que, não sei direito. E talvez ainda hoje o veja. (Forma estranha de se conhecer as pessoas assim, instantânea e longemente... sinais da modernidade invadindo os espaços de nosso tempo, dando de presente possibilidades imaginadas para o futuro e tão sonhadas no passado. Conversas potencializadas por emoticons divertidos e winks que beijam a tela do computador. Deixei o blues para outro dia)
Alguém, em certa comunidade de uma popular rede de comunidades virtual, certa vez perguntou se mulheres "Nouvelle Vague" apenas se interessam por homens da mesma espécie, ao que afirmo que certo colorido aos dias cinzentos habituais não raras vezes fazem bem. Deixe estar. Um dia ela descobre que o café pode, perfeitamente, ser substituído por momentos de sorvete no parque. E tudo isso, garanto, sem perder o charme que, por sua vez, vem do francês e quer dizer encantamento. Será que não nos falta justamente isso hoje em dia?: encantamento pela vida, por suas cores e, quando digo cores, incluo aí, certamente o preto-e-branco aussi! Mas hoje não é dia de charme, nem de café, nem de conversas sobre o sentido da existência... hoje é dia de misturar paralvras a imagens virtuais, esperar beijos e flores docemente postados de modo a diminuir distâncias! Brega, sim. Talvez. Talvez o Blues tenha dado lugar a uma espécie de techno-samba. Mas, ao menos, esse está mais próximo de mim no espaço...
Escrito por Beatriz Andrade às 15h07
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Under my skin

Sim, eu ouvi o Rei chorar, azul e triste como um copo de conhaque à meia-luz. E nos lamentos que eu ouvia, entendi nas entrelinhas o segredo daquela noite: degredo e céu sem nuvens. Acompanhei na negritude dos olhos aquele jogo de cartas que se embaralhavam e se metiam na minha vida, mostrando o caminho de tantas escolhas desfeitas...
Sim, the (B.B.) King tocava alto àquela hora em meus tímpanos, mas não era esse o meu arrependimento maior... a pele pulsava cheia de bolhas e de poros abertos, canais de ligamento entre eu e a fumaça cinza do recinto. Maldito! (a uma hora daquelas, as cartas que escrevi explodiam nas mãos de alguém e meus cabelos desalinhados me entregavam a qualquer um menos atento. As mãos não mentem, só metem goela abaixo as verdades desmedidas).
Eu ouvi muda todos os sons do Rei àquela noite, vi calada as barbaridades celebradas em copos excusos, li horrorizada as manchetes vermelhas de jornais velhos, mas nada me incomodou mais que minha cautela e meus gestos curtos de dedos em teclados. Escrevo porque me choco comigo mesma e com o conformismo de alguém tão comportado.
-- E o sax amanheceu o dia tecido por tantos galos fortuitos e solitários nas vozes e Bandeiras de tantos poetas --
Under my skin existe vida nova e o sangue que quero verter das cinzas-coisas. Só hoje.
Escrito por Beatriz Andrade às 18h13
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Cuspiu nos cacos que juntou, e lambeu as feridas ainda quentes cozinhadas pela esperança da cicatrização não-prometida. Drinks, copos, amigos, música que não dançava há muito tempo... (e o tempo viria curar e lavar aquela dor insana que tanto abria fechando ainda mais os seus sentimentos... Promessas não-verbalizadas)
Um dia, e se cansou de esperar. A porta aberta avisava a saída e o beijo interrompido corrompia a sugestão do desejo, mas outro caminho se anunciava. Virou-se e nunca mais voltou.
- Por que, criança imatura, jogastes fora todas as chances que pensava em te dar? Por que, meu pequeno sujo, consumistes teu tempo alterando o rumo tão (in)certo do destino que nos cabia tão bem? Duvidastes de mim alguma vez?
E o pequeno-sujo, cuja metafísica não nos cabe julgar, jamais respondeu ou responderá a questões feitas por Mulher de caráter tão duvidoso. (e as dúvidas se entrecruzam, num sinal de arrependimento pelo que não foi, pelo que foi jogado fora, pelo que se perdeu e jamais voltará a ser. São as reticências da vida que sempre culminam num ponto-final-de-partida)
Escrito por Beatriz Andrade às 14h25
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Quem disse que o cigarro se apagaria à primeira baforada? E quem disse que eu sobreviveria a ele? Muitas foram as noites em que bebi sem dormir, em que jantei sem mastigar, em que olhei sem enxergar, mas jamais escrevi um ponto sem sentir. Os desenhos das emoções são muito fortes em minha cabeça e seus contornos deixam rastros vertiginosos pelo caminho. Não há como não.
(Fumei, mas desta vez foi para ter a certeza de que seria a última. Não foi.)
Carteira vazia, a vida vazia, o copo vazio. Sentei-me novamente naquela mesa onde costumávamos costurar os sonhos e despedaçar esperanças para o futuro. (E você me disse que estaria descalso em nosso próximo encontro. Teimo sempre em acreditar). Bebi Wísque para me afogar. Os rastros do papel eu joguei fora mas, se lhe interessar, da lixeira você conhece bem o endereço e o telefone, sempre à espera de uma ligação que não vem, e que possivelmente nunca foi completada. Agora só ouço os murmúrios de um canto alucinante e elucidante da vida lá fora, e uma outra possibilidade me foi prevista: a felicidade.
Escrito por Beatriz Andrade às 00h14
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