Carótidas
   A4 -3/3

Não sou puta, traficante ou travesti,

Sou poeta.

Não sou fashion, não sou fake, não sou week,

Sou poeta.

Tenho hobby, estou sem job e sem dólares,

(nem cueca).

–E a virtude de ser poeta são as vicissitudes de minha cidade colorida de cinzas, montada de cabeça para baixo. Não falo baixo. –

 

“A um poeta pio convém se casto” –Será?

Outro poeta disse que o polegar é opositor.

Isso é que me importa

(importam cd´s, dvd´s, games, computers, money, everything.

We have nothing!

“Abaixo a pirataria!” “Abaixo a corrupção!” Quando? Me corromperam faz tempo

quando nasci

ninguém perguntou o que eu queria ser

ninguém perguntou que nome queria ter

ninguém é de ninguém não senhor. E nem nasci ainda.

Resisto aqui, nesse útero de ninguém.

Quem quer pão?)

A um poeta pio convém ser casto, mas o polegar é opositor,

Manchei meu dedo de sangue.

 

Não sou fake nem fashion week.

Talvez uma puta das palavras baixas que berra

Berra e berra

Beirando a loucura e traficando gritos.

Sou descaminho.

 

(Garçom, por favor um salmão!)


Referências: "A um poeta pio convém ser casto" -poema de Catulo, juro que não me lembro qual, mas a tradução é de João Ângelo de Oliva Neto.

"O polegar é opositor" - o poeta aqui que me inspira, muito além das palavras, com atitude, é o mesmo que criou esse site: www.inteligencialtda.com.br


CONTINUA EMBAIXO...



Escrito por Beatriz Galvão às 17h11
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   A4 -2/3

De São Paulo, 16/07/05

 

Vozes interromperam o silêncio, desde as 10h da manhã (de pleno sábado) e pretendem se calar jamais. Escritores, poetas, professores, críticos, estudantes e curiosos puderam participar de produtivos debates acerca da rebeldia e seus discursos; a narrativa contemporânea; a poesia contemporânea e suas paisagens; e a poesia contemporânea e a sociedade.


No berro da revolta,

o nascimento

em novembro, primavera, flor que brota.

No pé,

a bota

da adolescência que chuta a rebeldia torta.

Nos livros,

a paixão

que antecede a obrigação da faculdade morta.

 

E quasi aprendi, quasi escolhi, quasi gostei

de viver.

Quasi sangrei, quasi neguei, quasi vivi

de escrever.


CONTINUA EMBAIXO...



Escrito por Beatriz Galvão às 17h10
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   A4 -1/3 (começo e fim)

Após um fim de semana extremamente produtivo, percebi triste, porém firme, que minha vida tem sido uma soma de projetos inacabados. Explico:

Da primeira mesa, acerca da rebeldia e seus discursos compreendi que embora nem todos os setores marginalizados da sociedade convertam seus discursos em rebeldia, os que o fazem não negam, simplesmente, um conjunto de valores impostos pelo “status quo” mas – e principalmente – reafirmam seu próprio sistema de valores, negando, assim,  o estabelecido pelo discurso “careta” (como foi chamado).

Entrou-se em discussão os valores e ensinamentos “pregados” pela Academia, já que grande parte dos que estavam presentes eram alunos ou professores da USP, e concluiu-se o óbvio: a faculdade aniquila potenciais escritores, enquadra críticos e conforma possíveis manifestações literárias. Salvam-se os rebeldes.

Da segunda mesa, acerca da narrativa contemporânea, alguns elementos tais como a hibridez dessa nova narrativa, a falta ou parca marcação de espaço nacional ou regional e a fluidez ou ausência de marcação de tempo narrativo –entre outros fatores –foram salientados. O que mais me chamou a atenção, porém, foi o fato de professores meus terem em campo pesquisas tão interessantes a respeito da literatura contemporânea e as mesmas NÃO SEREM DIVULGADAS pelos corredores claustrofobizantes uspianos!

Da terceira mesa, poesia contemporânea e suas paisagens, muito se falou acerca da fragmentação do espaço urbano em oposição à paisagem bucólica que tanto aparecia na literatura romântica. Essa fragmentação encontra-se representada na própria fragmentação do indivíduo, quando este aparece na poesia.

Falou-se, também, da talvez excessiva descrição do espaço urbano sem localizar, no poema, a voz do indivíduo que vê/vive esse espaço. Penso que esse apego pela mera descrição um pouco (ou muito) se parece com o famoso quadro branco com um pingo de vermelho no canto: todos ou quase todos os artistas passam por essa fase, como forma de contestação sobre o que é arte e o que não é (pergunta que continua sem resposta –ainda bem –mas que vale a pena mantermo-nos perguntando individualmente em nossos projetos artísticos).

Da quarta mesa, um tema um tanto “batido” nos infinitos anos de USP: literatura e sociedade. Interessantes os pontos de vista de cada um da mesa: a especialista em literatura comparada, afirmou a impossibilidade (ou “falta de instrumentos”) para analisarmos o novo léxico que surge na poesia contemporânea. Os outros integrantes da mesa, todos poetas, sugeriram, cada um ao seu modo, uma forma de analisar o tema. Frederico Barbosa sugeriu que analisássemos não a poesia contemporânea e a sociedade, mas a sociologia de cada autor (pós-graduado pela USP, dá para entender o porquê de seu “trauma” com relação e este tema).

Respondendo ao questionamento de uma aluna de letras sobre “qual seria o “papel” da literatura nos dias de hoje, Cláudio Daniel define, sem hesitar, gloriosamente: “A4”.

E Ademir Assunção, com suas palavras de espinho, fecha o evento com a seguinte provocação: “A merda (que eu escrevo) é minha. Cague a sua!”.

Caguemos a nossa.

 

*Do projeto inacabado: escrevia desde os 11 anos de idade; entrei na USP (5o. ano, sim senhor); me enquadrei, me conformei; fui à FLAP e, durante a leitura da poesia de Cláudio Daniel, principalmente, percebi o abandono de meu projeto literário (cuja linguagem se parecia em muito com a dele no que se refere à ousadia e ao léxico empregado). Fui dormir morna.

Dia seguinte, ao assistir à peça de meu amigo Albano Martins (vide divulgação aqui, dia 30/06/05), entre gargalhadas e lágrima presa na garganta (causadas pela peça), percebi, quente, que a vida recomeça quando se ousa partir dos monólogos aos diálogos, afinal “no fim, dá tudo no mesmo. O que não dá no mesmo é o quasi...”.

Fim de fim de semana.

Fim de linha.
Fim do fim. Começo.



Escrito por Beatriz Galvão às 16h19
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   In-Veja

E a revista Veja, com tiragem de mais de um milhão de exemplares, começou a se preocupar com o Movimento Literatura Urgente (link ao lado)! Se, por um lado, incomodamos boa parte da elite capitalista, por outro ganhamos força com tal "divulgação". Por pior que tenha sido tal "marketing", acredito que devemos, intelectuais e artistas que somos, incentivar o debate público para que toda a população tome conhecimento de nossa causa.

Como era de se esperar, certas "entrevistas" foram bem manipuladas por "repórter"(?) cujo único intuito era o de confirmar um ponto de vista capitalista e neo-liberal: o de Estado-menos (claro) e, conseqüentemente: cultura menos, educação menos, expressão menos...
Ademir Assunção e Ricardo Aleixo falam sobre o ocorrido em seus blogs.
É inveja ou não é?



Escrito por Beatriz Galvão às 20h59
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   Por tantos

Quero um sentimento

que caiba exato

no sem tempo.

Sem milhas,

cem flores,

todos os dedos...

 

Quero uma caixa sem tampa,

fogo sem vela.

Água e sal curando o ventre,

língua no mamilo enrijecido.

 

Quero a voz cálida

- profunda e profana -

amolecendo meus quadris frenéticos pela ausência.

 

Quero a ausência de tudo

bem curada

pela presença dos teu poros

 

(e o "porém"

que me aperta a saudade

é ressemantizado em "portanto"

que não conclui.

Inicia)



Escrito por Beatriz Galvão às 22h49
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   FLAP!

Finalmente saiu!
 
Então, sabe a FLIP, Feira Literária Internacional de Paraty? O evento é caro, para classe média alta (R$ 17,00 por palestra) e apesar de contar com algumas pessoas ótimas (tipo Roberto Schwarz e Paulo Henriques Britto) é bem sensacionalista, traz uns palestrantes nada-a-ver, tipo Arnaldo Jabor e Jô Soares.
 
Então em uma contra-proposta a isso tem a FLAP!!!!!
 
Traz muita gente boa, poeta, prosador, crítico, professor, editor, só coisa fina, Glauco Mattoso, Chacal, Antonio Vicente, Mirisola, Bruno Zeni, Andréa Hossne, Priscila Figueiredo, Dirceu Villa, Maria Claudia Galera, Cláudio Daniel, Frederico Barbosa, Heitor Ferraz, Tarso de Melo, Ademir Assunção, Mamede Jarouche, Paulo Ferraz e outros.

Ajuda a divulgar!
 

FLAP!
 
Dia 16 de julho de 2005, sábado
Espaço dos Satyros - Pça. Roosevelt, 214
Site: http://www.geocities.com/flapliteraria
Blog para discussões: http://FLAPeuvou.zip.net

Organização: 
 - Academia de Letras (Faculdade de Direito – USP)
 - Revista Metamorfose (FFLCH - USP)
 
APOIO
 
Press Release
 
30/06/2005 - 09h39
São Paulo terá festa literária alternativa
EDUARDO SIMÕES
da Folha de S. Paulo
 
Com um ditado na mão e bom humor na cabeça, um grupo de alunos da USP resolveu criar uma alternativa à Festa Literária Internacional de Parati. Quem não tem Flip resolve com... Flap, pensaram.
O resultado pode ser conferido no dia 16 de julho, no Espaço Satyros, quando professores, escritores e críticos estarão reunidos em torno de quatro mesas-redondas, com "mais ou menos" quatro participantes cada uma. O mote: ser um contraponto à Flip, aberto ao público e mais barato. Na verdade, de graça.
 
"Nosso encontro está para a Flip como o Fórum Social de Porto Alegre está para o Fórum Econômico de Davos", brinca o poeta Glauco Mattoso, que participa da mesa de abertura da Flap ao lado do colega e contemporâneo Chacal, com quem falará sobre literatura marginal e censura.
 
A Flap foi criada por alunos da Academia de Letras da Faculdade de Direito da USP e pela revista "Metamorfose", queixosos não só dos custos da Flip para estudantes, da acomodação aos ingressos para os debates, a R$ 17, mas também da programação.
 
"A Flip é cara e a qualidade está mais baixa", diz Ana Rüsche, uma das organizadoras, que reclama do foco da festa de Parati em escritores best-sellers, como Michael Ondaatje, autor de "O Paciente Inglês".
 
Segundo Rüsche, as mesas têm como objetivos fazer uma ponte da academia com a comunidade, promover polêmicas e avaliar o papel da poesia e da prosa contemporâneas. Mamede Mustafá Jarouche, tradutor de "As Mil e Uma Noites", irá fechar o dia fazendo um balanço do evento.
 
O encontro também tem uma programação paralela: às 18h haverá o lançamento do número 19 da revista "Phoenix", num bar ao lado do Satyros, e à meia-noite acontece, no Satyros, a apresentação da peça "A Filosofia na Alcova", com ingressos a R$ 25.
 
Em tempo: salvo o trocadilho com o nome da festa de Parati, as quatro letrinhas de Flap ainda não têm significado. No dia do evento haverá um concurso para determinar o que quer dizer a sigla.
 
FLAP!
Quando: dia 16 de julho, a partir das 10h
Onde: Espaço Satyros (pça. Roosevelt, 214, São Paulo, tel. 0/xx/11/3258-6345)
Quanto: entrada franca (inscrições pelo site da Flap)


Escrito por Beatriz Galvão às 14h07
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